{"id":232,"date":"2007-08-15T15:42:00","date_gmt":"2007-08-15T18:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.wieczorek.com.br\/novo\/?p=232"},"modified":"2022-02-24T15:44:21","modified_gmt":"2022-02-24T18:44:21","slug":"j-r-r-tolkien","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.wieczorek.com.br\/index.php\/2007\/08\/15\/j-r-r-tolkien\/","title":{"rendered":"J.R.R. Tolkien"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje inauguro mais uma se\u00e7\u00e3o em meu blog: Literatura. E para come\u00e7ar, deixo neste primeiro post da se\u00e7\u00e3o, a biografia de um dos maiores escritores da humanidade, que revolucionou a literatura de fantasia: Tolkien.<\/p>\n\n\n\n<p>John Ronald Reuel Tolkien nasceu em Bloemfontein, \u00c1frica do Sul, no dia 3 de janeiro de 1892. Seu pai, Arthur Reuel Tolkien, era empregado de um banco ingl\u00eas instalado na \u00c1frica, e sua m\u00e3e, Mabel Suffield Tolkien, era dona de casa. A fam\u00edlia provavelmente viveria muitos anos no continente africano, se Arthur n\u00e3o tivesse falecido em 1896. Mabel decidiu, ent\u00e3o, retornar \u00e0 Inglaterra com o jovem Ronald (como era chamado) e o irm\u00e3o mais novo deste, Hilary.<\/p>\n\n\n\n<p>Ronald passou quase toda a sua inf\u00e2ncia dividido entre as regi\u00f5es rurais das Midlands Ocidentais e a cidade industrial de Birmingham, onde freq\u00fcentou a King&#8217;s Edward School. A proximidade dessa regi\u00e3o com o Pa\u00eds de Gales ajudou a desenvolver, muito precocemente, a paix\u00e3o de Tolkien por l\u00ednguas: nos vag\u00f5es de trem carregados de carv\u00e3o, o garoto via palavras em gal\u00eas como &#8220;Nantyglo&#8221; e &#8220;Senghenydd&#8221;, que o fascinavam e inspirariam a cria\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas \u00e9lficas. Em 1900, Mabel Tolkien decidiu converter-se ao catolicismo juntamente com seus filhos. John Ronald permaneceria profundamente cat\u00f3lico at\u00e9 o fim da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora modesta, a vida levada por Mabel e seus filhos era relativamente tranq\u00fcila. A situa\u00e7\u00e3o mudou em 1904, quando Mabel faleceu. A partir de ent\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o e bem-estar de Tolkien e seus irm\u00e3os passaram a ser responsabilidade do Padre Francis Morgan, amigo de Mabel. John Ronald passou a morar na hospedaria de uma certa senhora Faulkner, onde conheceu a jovem Edith Bratt, ent\u00e3o com 19 anos (Tolkien tinha 16). Os dois se apaixonaram, mas o Padre Morgan, ao descobrir o namoro, proibiu que eles se vissem at\u00e9 que Tolkien completasse 21 anos. Obedecendo a seu tutor, mas sem esquecer Edith, Tolkien ingressou na Universidade de Oxford em 1911, mostrando-se um aluno brilhante no estudo das l\u00ednguas germ\u00e2nicas, do ingl\u00eas antigo, do gal\u00eas e do finland\u00eas. Esta \u00faltima l\u00edngua, uma das paix\u00f5es de Tolkien, tamb\u00e9m seria uma das bases primordiais para as l\u00edngua \u00e9lficas.<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, por volta de 1914, o relacionamento de John Ronald e Edith p\u00f4de seguir seu curso. Ela se converteu ao catolicismo, enquanto Tolkien concluiu o curso de L\u00edngua e Literatura Inglesa em 1915. Foi tamb\u00e9m durante essa \u00e9poca que o qenya (hoje chamado &#8220;quenya&#8221;), o mais importante dos idiomas ficcionais criados por Tolkien, come\u00e7ou a tomar forma. Entretanto, a Primeira Guerra Mundial j\u00e1 estava varrendo a Inglaterra, e o jovem John Ronald n\u00e3o escapou da mar\u00e9 negra. Convocado para servir como segundo-tenente nos Fuzileiros de Lancashire, Tolkien casou-se com Edith em 22 de mar\u00e7o de 1916 e, logo depois, embarcou para a Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Tolkien participou da terr\u00edvel ofensiva de Somme, na B\u00e9lgica, e ap\u00f3s quatro meses no front contraiu a chamada &#8220;febre das trincheiras&#8221;, uma infec\u00e7\u00e3o semelhante ao tifo que grassava devido \u00e0s p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene no ex\u00e9rcito. Mandado de volta \u00e0 Inglaterra, Tolkien come\u00e7ou a rascunhar, enquanto se recuperava, as primeiras vers\u00f5es de sua mitologia, com as primeiras hist\u00f3rias de elfos, an\u00f5es e homens, e os relatos originais da queda de Gondolin e de Nargothrond. Em 1917, nasceu o primeiro filho de Edith e Ronald, John Francis Reuel. Al\u00e9m dele, o casal tamb\u00e9m teria Michael, Christopher, e uma menina, Priscilla.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do fim da guerra, a carreira acad\u00eamica de Tolkien decolou: ele foi escolhido Leitor (Professor Associado) de L\u00edngua Inglesa na Universidade de Leeds em 1920 e, em 1925, passou a ocupar o posto de professor de Anglo-sax\u00e3o em Oxford. Como professor, Tolkien se dedicou principalmente ao estudo da literatura em ingl\u00eas antigo e m\u00e9dio (seus estudos do poema anglo-sax\u00e3o &#8220;Beowulf&#8221; est\u00e3o entre os mais imporantes do g\u00eanero) e tamb\u00e9m \u00e0s aulas na gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Era costume de Tolkien contar hist\u00f3rias, criadas por ele pr\u00f3prio, para seus filhos. Certo dia, quando corrigia provas da faculdade, ele se deparou com uma folha em branco e, movido por um impulso inexplic\u00e1vel, escreveu nela: &#8220;Numa toca no ch\u00e3o vivia um hobbit&#8221;. Tolkien decidiu ent\u00e3o &#8220;descobrir&#8221; o que era o tal hobbit, e a partir disso criou mais uma hist\u00f3ria para seus filhos, com as aventuras do hobbit Bilbo. A hist\u00f3ria, datilografada, chegou \u00e0s m\u00e3os de Stanley Unwin, da editora George Allen and Unwin, que pediu a seu filho de 10 anos, Rayner, para resenh\u00e1-la. O garoto adorou o livro, e Stanley Unwin decidiu public\u00e1-lo em 1937 com o t\u00edtulo &#8220;O Hobbit&#8221;. O sucesso foi tamanho que o editor pediu a Tolkien uma continua\u00e7\u00e3o das aventuras de Bilbo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tolkien decidiu escrever a continua\u00e7\u00e3o, mas a hist\u00f3ria, atra\u00edda irresistivelmente na dire\u00e7\u00e3o das velhas lendas \u00e9lficas, demorou mais de 16 anos para ser escrita e se tornou um \u00e9pico de mais de mil p\u00e1ginas. A essa altura, Rayner j\u00e1 havia crescido e passado a ocupar o cargo de seu pai na editora. Decidido a arriscar, Rayner publicou &#8220;O Senhor dos An\u00e9is&#8221; em tr\u00eas volumes, lan\u00e7ados de 1954 a 1955. O sucesso, estrondoso, surpreendeu a todos, inclusive a Tolkien. Uma edi\u00e7\u00e3o pirata do livro, lan\u00e7ada nos Estados Unidos em 1965, ampliou ainda mais tal \u00eaxito, j\u00e1 que os adeptos da contracultura e do movimento hippie se identificaram profundamente com a narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Surgira como que um culto em torno da figura e dos escritos de Tolkien. Se de um lado o autor se sentia lisonjeado, o homem Tolkien n\u00e3o estava t\u00e3o contente: pessoas de todos os cantos do mundo se achavam no direito de ligar para a sua casa ou simplesmente bisbilhot\u00e1-lo do outro lado da rua. Assim, depois de se aposentar e com os filhos h\u00e1 muito crescidos, ele decidiu se mudar para o pacato balne\u00e1rio de Bournemouth em 1969, em companhia de Edith. Em 22 de novembro de 1971 ela faleceu, e Tolkien voltou para Oxford. Ele pr\u00f3prio morreria em 2 de setembro de 1973. Os dois est\u00e3o enterrados juntos no cemit\u00e9rio de Wolvercote, em Oxford. Na l\u00e1pide, num eco da mais bela hist\u00f3ria de amor de sua mitologia, pode-se ler:<br>Edith Mary Tolkien, L\u00fathien, 1889-1971<br>John Ronald Reuel Tolkien, Beren, 1892-1973<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Curiosidades:<\/strong><br>A obra liter\u00e1ria do professor e fil\u00f3logo J.R.R. Tolkien n\u00e3o teve paralelos em todo s\u00e9culo XX. Estudioso apaixonado pela l\u00edngua e literatura da Inglaterra medieval, Tolkien sentia que faltava \u00e0 sua terra uma mitologia digna desse nome. Unindo o desejo de dar uma mitologia \u00e0 Inglaterra com o prazer que sentia em criar l\u00ednguas (algo que estava estreitamente ligado a seu processo criativo), Tolkien deu in\u00edcio a um grandioso ciclo de lendas, ambientado num passado m\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado desse projeto s\u00e3o os livros &#8220;O Silmarillion&#8221;, &#8220;O Hobbit&#8221; e &#8220;O Senhor dos An\u00e9is&#8221;, tendo o \u00faltimo ultrapassado a marca de 150 milh\u00f5es de exemplares vendidos no mundo todo. Atualizando os romances e poemas \u00e9picos medievais, Tolkien criou um cen\u00e1rio majestoso e detalhado onde humanos e outros povos (elfos, an\u00f5es e hobbits) enfrentam Morgoth e seu servo Sauron, &#8220;anjos&#8221; ca\u00eddos que desejam escravizar toda a Terra-m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua extraordin\u00e1ria capacidade e paix\u00e3o como fil\u00f3logo valeram-lhe o elogio do colega C.S. Lewis: &#8220;Ele esteve dentro da l\u00edngua&#8221;. Em pesquisa realizada pela livraria virtual Amazon.com em 1999, &#8220;O Senhor dos An\u00e9is&#8221; foi eleito o livro do mil\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.valinor.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.valinor.com.br<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.conselhobranco.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.conselhobranco.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje inauguro mais uma se\u00e7\u00e3o em meu blog: Literatura. E para come\u00e7ar, deixo neste primeiro post da se\u00e7\u00e3o, a biografia de um dos maiores escritores da humanidade, que revolucionou a literatura de fantasia: Tolkien. 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